A saideira. Mais uma. Outra, por favor…

Se não beber, esquenta. Então vamos todos beber dessa idéia de participar de um espaço virtual para falar da boemia – para o bem ou para o mal. O importante é ter a alma boêmia, não querer ir mais embora e sempre desrespeitar o pedido: “Garçom, por favor, traz a saideira”. Traga outra. Só mais essa. Mais outra…

Como é isso? Foi a um lugar novo, tomou umas, comeu outras, gostou ou não…? Vai lá e escreve. Diz como é, conta uma história de corno, esculhamba alguém, ri de uma piada, sei lá. Coisa de cronicar mesmo. Transformar a bebedeira em informação (quando a ressaca passar e a cabeça parar de doer). O importante é falar da boemia – que é universal. Isso engloba bares, botecos e, quem sabe, sabe-se lá, até restaurantes.

Nasce então este blog, que estará embriagado de alegria, boa conversa, mas também poderá ter reclamações e mal-humor. Enfim, gargalhadas e lágrimas. Aos que querem se aboletar por aqui: garçom, traga um copo americano e mais uma cerveja gelada, por favor.

Cada um procurou escrever a respeito do local que acha mais interessantes para beber, frescar, jogar conversa fora, cuspir no chão, piscar o olho pros outros, churrascar felinos, cair, pegar um táxi, chorar, ouvir Alcione, azucrinar com a vida alheia e etc… Eis as dicas, sugestões, histórias de vida e esculhambações ao longo deste blog. Vale tudo.

COMO A IDÉIA SURGIU
Num belo dia de trabalho (!), Camille Soares envia um link. Era um blog que dava dicas de bares e botecos da cidade. Num outro belo dia, mais especificamente num sábado, Daniel e Carol do Vale escolheram umas três sugestões e foram ganhar o mundo. O primeiro nem pararam. Era o Bar do Railson, no Bairro de Fátima. Tocava um pagodão e o segurança batia no vidro para que rapidamente seguissem o rumo. Ok, foram para outro então.

O rumo era a Aldeota. O texto dos caras era super massa e tal. Tinha tudo para dar certo. Mas, quando chegaram se depararam com uma churrascaria pequena, com direito ao final da novela das oito (Duas Caras) bem alto em duas televisões. As características de um boteco foram beber longe dali. Até que gostaram de ver o fim da Sílvia. Nada de espetacular no lugar.

Preferiram não arriscar uma terceira dica. Surgiu a idéia de fazer um espaço próprio para contar essas aventuras em busca de novos lugares para beber. No decorrer da farra, a cerveja foi descendo e as idéias foram chegando . Queriam montar um blog, um site ou o diabo que o valha como uma espécie de guia que não precisasse só falar bem dos lugares, mas que fosse um retrato quase (eu disse quase) fiel desses bares e botecos – não dá para ser fiel depois de umas. Fiel no sentido de… Ah, vocês entenderam.

Voltando para a saga daquele sábado. Seguiram para o Centro Aquariano e por lá encontraram Marcelo e Vanessa. Erico Firmo também estava presente. Os dois primeiros toparam a história. Erico só bebia e nem sequer foi informado de que estaria nesta lista seleta de bebedores desbravadores de bares, botecos e afins.

Idéia jogada ao ar. O tempo passou. Não muito tempo, só um pouco. Aí fui tomar uma gela no Bar do Railson. “De repente, na semana é mais legal”, pensou Daniel. Nem tanto. A comida é boa e a cerveja gelada. Mas ninguém merece a Nildinha e o Amor Cearense cantando “não voooou chorááááááááá”, levando os dois punhos fechados para perto dos olhos como quem os atarracha. A experiência fez fluir mais idéias.

Pensamos em nomes e tudo para o tal espaço virtual. Camille pressionou para que Daniel mandasse logo o e-mail esquematizando a história. No dia 20 de junho de 2008, numa gostosa sexta-feira de música no Chaguinha, no Benfica, conversavam Daniel, Camille e Carol. Bebiam, claro. Mais idéias apareceram. Ô cachaça pra fazer bem ao cérebro… nããããããããã…

O e-mail com a proposta foi enviado na mesma noite, com as palavras emboladas e a sintaxe meio troncha. Foram adicionados à mesa Paulo Júnior, Eugênia Cabral (a única desta trupe que não passa de duas taças de vinho no jantar, mas que terá a importante percepção diferenciada dos demais, que são papudinhos), Ciro Câmara e Wânia Caldas. Profissionalismo total.

No dia seguinte Marcelo e Vanessa já anunciaram que já estava tudo pronto. O nome inicial era “fazendo rastro”. Após algumas discussões por e-mail, resolvemos mudar para “Traz a saideira”. Desde então estamos aí, agarrados com copos americanos e isopores. Um brinde! (Que finalzinho chinfrim heim?)