Poço de cerveja

Lá não tem latas de leite nem carne de lata ou de sardinha sobre prateleiras de madeira. Também não há contas penduradas na parede e pão sovado enrolado em papel cinza bem grosso sobre um balcão. Não há tonéis cheios de milho, feijão ou farinha. Mesmo assim o nome é Budega do Poço. Também não vi nenhum poço por perto – mas nem me ative muito a procurar o tal poço. Estava ocupado com a cerveja e com o papo que rolava na despedida de um colega de trabalho, o paulista Gioielli – que ainda tem dificuldade em falar “vixe” naturalmente.

A cerveja é gelada e o local agradável pra beber. Nada de visual bacana. Não tem paisagem pra ficar vendo. O bar fica em pleno Meireles. Muitos carros passam por lá, mesmo assim o local é bem suportável se a turma for boa de copo. Portanto, o negócio é beber. O preço da cerveja está na média dos bares que não são botecos: R$ 3,10 a Antarctica – o mesmo preço da Boemia – e R$ 3 a Skol. Bom mesmo é tomar aquela gelada com os petiscos. A casa também oferece pratos para encher o bucho.

Quem gosta de frutos do mar adora pedir o camarão alho e óleo. Dizem ser um espetáculo. Eles vêm cheios de alho picado em cima. Quando digo cheio, digo cheio mesmo. Há quem diga que é só alho. Mas tem camarão sim que eu vi. O cheiro é muito bom. É o prato forte da Budega pra tira-gosto. Vamos aos preços:

  • 300 gramas – R$ 10
  • 500 gramas – R$ 15
  • 1 kg – R$ 30

Como não sou muito chegado a camarões, caranguejos e frutos do mar e afins, fico com o queijo com ervas, que custa R$ 8,50. Muito bom. São quatro fatias de queijo coalho com vários “matos” por cima. Logicamente, orégano está entre elas. Perceberam que eu só identifiquei o orégano no meio das ervas? É porque não sou muito conhecedor de ervas…risos… As ervas dão um sabor só o filé pra tomar com uma cervejinha. Com vários cervejinhas, melhor dizendo.

Serviço:
Restaurante Budega do Poço. Rua Frei Mansueto, 1168 – Meireles. Fone: 85 3267 8308

Melhor fim ou começo de noite

Vanessa Campos, a moça aí adepta da Kasa Kaiada, repetiu incansavelmente: “Vai conhecer o Empório Sertanejo, que tu vai curtir”. E já emendava que bom mesmo, era lá pelas 1h da madruga. Na correria da vida nova no Recife, demorou um tempinho até eu ir ao tal Empório. Aí veio aquela noite com uma vontade imensa de tomar uma cerveja descompromissada e a idéia de conhecer um boteco novo. 

Pertinho de casa, a sugestão foi uma boa pedida. Já tinha passado em frente durante o dia, um pé sujinho bem simpático. Dias depois, descobri que o local tinha sido eleito o melhor fim de noite pela revista Veja. Quando chego ao bar, tudo faz sentido. Quinta-feira à noite e o bar lotado. Mesas imensas, cheias de pessoas com cara de recém-saídas do trabalho. A calaçda tomada de mesas. Em dias de muita saudade de Fortaleza, dá para fazer uma comparação com o bar do Arlindo.

O garçom é chamado pelo nome mesmo, com aquela intimidade total. E lá vem ele com o cardápio. Bode guisado (R$ 14,90), bode assado (R$ 14,90), tripa de porco (R$ 8,70). Meu deus, meu deus, meu deus. As opções vêm também em meias porções. Quero tudo ao mesmo tempo agora… Então, para começar, uma cerveja gelada. A Skol é R$ 2,70. A Antarctica, R$ 2,60.

A tripa de porco é beeeeem sequinha. Um espetáculo! Com farofa e vinagrete. Melhor ainda é pedir uma dose de Pitu Gold e completar a festa. Na calçada, vários carrinhos de amendoim cozido. Bem quentinho. Eu que ainda não me acostumei que moro em uma cidade que tem sempre, compro um saquinho sempre que alguém oferece.

Mas voltando ao Empório. O lugar é uma delícia. Um botequinho para você ficar íntima rapidamente. Como os mais conhecidos do local contam, o bar foi idéia de um cara – Robertinho – que veio do interior e sentia falta de um lugar com comidinhas típicas. Criou um bar que virou o melhor fim de noite da cidade. Mas nada contra começar a noite por ali.

 

Em Recife: Rua da Hora, 34. Espinheiro. Fecha aos domingos e às segundas.

Feijão verde borbulhante

O creme vem borbulhando. A fumaça sobe. Cheiro verde e queijo ralado em cima. Embaixo, uma panela de barro entupida de feijão verde, nata e queijo. Para acompanhar, uma cerveja gelada, claro! Estou falando daquele feijão do Docentes e Decentes. Exatamente aquele. Quem já comeu não esquece jamais. Eu comi e de vez em quando a boca enche d’água quando lembro daquelas borbulhas de feijão. Putz!

O local, digamos assim, não tem nenhuma característica que lembre um bar boêmio. E nem é. Se for para encher a cara, melhor procurar outro canto. O Docentes é bom para comer. E comer feijão com coentro. Um negócio daquele de barro cheio de feijão (não vou chamar de panela porque pode parecer bem maior do que é) dá para umas três pessoas sem muita fome. Uma porção custa R$ 11,80. A cerveja eu achei muito inflacionada: R$ 3,39 a Skol, a Antarctica ou a Brahma.

Antes, havia apenas o Docentes que fica na avenida Santos Dumont. Agora tem outro na rua Ana Bilhar – bem no comecinho -, na Varjota. Lá, o segundo que cito, as cadeiras são decoradas com panos de chita. É bem bonitinho. O espaço é grande e tem um balcão que, por ser muito modernoso e com um povo muito arrumado, não me atraiu não. Ah, falando em “arrumado”, deixa logo eu avisar que é bom colocar uma roupa bacana porque se for com o dedão do pé de fora pode rolar um constrangimento de leve. De leve, nada muito pesado não.

Vá preparado para ouvir uma música ao vivo muito mais ou menos. Pelo menos foi assim na sexta-feira passada. O repertório da cantora era bom, mas a voz dela… Pior mesmo é ter de pagar R$ 2,50 por isso. Naquele mesmo dia, houve uma festa numa espécie de boate – que fica separada do espaço do restaurante. O tema era “30 e alguns anos”, mas depois de ouvir a “Dança do Quadrado” e várias músicas da Cláudia Leitte tocadas por um trio de moças mais perdido que do que eu na Samasa quando tinha três anos… Ah, deixa pra lá.

Ou seja: não vá para beber porque tomar um porre lá sai caro. Nem para ouvir música porque não é lá essas coisas toda, para ser bem gentil e educado. Vá para comer feijão, que é bom demais. Logicamente, peça uma cerveja para acompanhar.

O Docentes da Santos Dumont fica no número 3180 e o telefone de lá é (85) 3265-3267. Qualquer coisa liga pra lá que as pessoas informam o telefone do restaurante na Varjota.

Kasa de nós todos

Uma boa opção de bar em Fortaleza para quem quer bater papo, curtir um fim de tarde ou até esticar até de madrugada é o Kasa Kaiada. Instalado numa simpática pracinha no bairro de Fátima, o bar reúne dos públicos mais ecléticos na cidade. Podemos encontrar famílias inteiras que aproveitam os brinquedos da praça para entreter as crianças enquanto fazem seus pedidos, religiosos recém saídos de seus cultos à procura de um lugar para jantar, cocotas com seus namorados que bebem uísque, boêmios que quando sentam pedem logo uma grade para guardar os cascos que irão secar e eu, quase sempre com uma gela na mão.

Na pracinha – que, ouvi dizer, é mantida pelos donos do bar – ficam diversas mesas espalhadas por debaixo das árvores que enfeitam o lugar, uma perfeita interação com a natureza. O bar mesmo, fica do outro lado da rua e é equipado com três telões para quem quer assistir aos jogos de futebol ou se arriscar nos DVD’s de Roupa Nova, Banda Calypso e afins. Às sextas tem música ao vivo mas não recomendo.

A cerveja é gelada na medida, tanto faz Skol ou Antarctica, o preço é justo (Garrafa 600ml: R$ 2,80). Quem quiser tomar Bohemia também tem (R$ 3,00). E, para quem respeita a lei sêca ou não bebe por gosto mesmo, a jarra de suco sai por R$ 4,40 e o refrigerante 600ml R$ 2,50. Recomendo o suco de cajá, uma delícia.

O atendimento é bom, em dias de movimento como quinta-feira a coisa complica um pouco e a cozinha demora, a cerveja não. Para beliscar, dica com água na boca é o Arrumadinho (R$ 8,90), que a casa serve muito parecido com o que se faz em Pernambuco – feijão verde, tomate, cebola e cheiro verde, carne de sol em cubos e farofa de mandioca – tira-gosto para duas pessoas, às vezes até três, tudo depende da fome e da disposição para pedir outros pratos como o queijo à milanesa que vem cortado em cubos (R$ 5,90).

Para completar, peço sempre Baião com Moela (R$ 9,90) mas recentemente descobri o Baião de Três (R$ 10,50) que reúne baião + moela (ou tripa) + paçoca. Um espetáculo! Baião molhadinho com muito queijo e moela fresquinha. Se você não gosta de nada disso, tem problema não, no cardápio tem de arroz de camarão a churrasco gaúcho, é só escolher.

O ambiente é dos melhores, abre de segunda a segunda mas o que é legal mesmo é ir durante a semana e sentar em frente à academia de ginástica que tem lá na praça. Bom demais tomar uma gelada enquanto observa aqueles que aprendem passos de forró, rolam no chão com outros lutadores ou dão socos em sacos de areia. Diversão garantida! O Kasa Kaiada é bar para ir a dois, a três e, se possível, em mais de dez. A conta dificilmente dá errado e eles aceitam todos os cartões de crédito.

SERVIÇO:
Kasa Kaiada
Rua Conselheiro Tristão, 956 – Bairro de Fátima
Contato: (85) 3221-6638
Como chegar: Para quem vem pela Aguanambi, é só entrar no sinal do Colégio Raquel de Queiroz e pegar à direita na segunda rua, já é ali.

Instigação eletrocutada

O Gatim Eletrocutado é muita instigação. Leve o dinheiro da cerveja (R$ 3 cada) mais R$ 17 para o Passion Motel por duas horas – R$ 0,40 mais barato do que há dois meses, segundo fontes. Que delícia heim?!?!?! O Gatim Eletrocutado é um pedaço de lugar que fica na avenida Godofredo Maciel, em frente a esse motel aí que eu já mencionei, depois do Detran da Maraponga para quem vai do Centro rumo a Maracanaú. Muito bom. Estou falando do bar, não do motel – que ainda não tive oportunidade de conhecer.

Lá (no bar) tem um cardápio enorme de videokê. Bom para cantar a noite toda. “Anoiteceu… Olho pro céu e vejo como é bom…” Era lua minguante ou algo parecido com minguante. Quem deu a dica do local foi a Mônica, jornalista cearense que virou carioca enquanto faz mestrado. Ela não fala “sáqualé”. Quando ela esteve aqui, em junho de 2008, fez questão de ir lá com o Gilberto – bebedor profissional que diz ter uma filha de seis, sete anos, sei lá, que já leu até O Capital. Mentiroso profissional também, pelo visto.

Deixa eu contextualizar. Marcamos por e-mail de tomar uma gela nas Goiabeiras, no Benfica. Encontrei a Mônica lá. Bebemos, bebemos, bebemos… Íamos tomar a saideira num lugar qualquer, quando chegou a Gilberto dizendo que a gente tinha que ir era para o Gatim Eletrocutado. “Então vamos”, afinal é quinta-feira e no outro dia eu estava de folga mesmo. Deixamos o carro do Da Fontoura no posto perto do Cefete e fomos. Não tinha “precisão” de ir um bocado de carro para o mesmo lugar.

Chegamos tímidos. A negada toda já estava cantando. Eu fui o primeiro da mesa porque eu sou é enxerido. Fui de Raça Negra: “Só de pensar que sua boca / beijou outra boca / sinto o gosto a amargo da desilusão…” Tirei 50 – melhor índice da mesa até às 2 horas da madruga daquele dia. O povo foi se empolgando e o Fonseca, do PSol, cantou uma música para insultar o petista Gilberto: “Você pagou com traição / a quem sempre te deu a mão”. Parece que a ofensa chamou a galera do PT: mais de dez apareceram por lá e entraram na onda da cantoria e da cerveja.

Depois cantei outra. “Espumas ao Vento”, do Fagner. As outras mesas cantavam outras tantas variedades que dava medo. Como já disse, o cardápio era extenso. Uma moça gasguita com uma franja na testa gritava ao microfone. Entendi porque o nome era Gatim Eletrocutado. O “Eletrocutado” do nome ficou por conta da Mônica, que assim chamou o lugar logo no primeiro e-mail de aviso que estaria nas terras alencarinas. Certamente ela foi contaminada por freqüentadores mais antigos como o Gilberto. Há uma lógica: o gato na placa do bar está mesmo eletrocutado. Também, com aquela moça de franja gritando qualquer um fica eletrocutado.

Mas os gritos só animavam, ainda mais quando tentavam cantar Alcione e a lembrança direcionava rapidamente para Carol, Camille e Wânia cantando com cara de cólica. E tome cerveja com um coração de frango que vinha escondido em uma densa mata de alface e de tomate. Os corações pareciam azeitonas pretas – segundo o Da Fontoura -, portanto não indico pedi-los. A macaxeira também estava tostada. Não vá lá para matar a fome, mas sim para beber e cantar para os males espantar.

O cardápio de músicas diz assim: “Cantou, pagou”. Muito justo. Coisa de R$ 4 a mesa. Se tirar nota 100 na cantoria, ganha uma pizza por conta da casa. Aí sempre que a gente cantava era uma gritaria só: “Pizza! Pizza! Pizza! Pizza! Pizza!”. O placar da televisão estava meio envenenado (eu querendo tirar a suja). Quase ninguém passou dos 60 pontos. E isso lá importa? Impagável é ver as moças cantando e coreografando “libera o Tóim que eu te dou dez conto”. E mangar, claro.

Quem quiser ir ao Gatim Eltrocutado faz o seguinte: depois do Detran da avenida Godofredo Maciel, tem o Carrefour. Depois, do lado direito mesmo, o “Gatim – Churrascaria e Pizzaria”. Qualquer dúvida é só ligar para (85) 3298-7665 ou 3296-9146, como informavam os cartazes de lá. Vou logo lembrando: é muita instigação.

Sobre os bares próximos de casa

Sempre fui daquelas que acha de extrema importância o tipo de bar que se tem perto de casa. Ele pode ser pé sujo, mas há um limite para isso. Também não deve ser tão caro assim. Afinal, é o local onde se vai tomar aquela cerveja despretensiosa em uma quarta-feira chuvosa, quando um inesperado telefonema aparece no seu celular. Ou quando os amigos teimam em não lhe acompanhar para uma cerva em plena terça-feira e você resolve ir só, sem ver constrangimento nenhum nisso. Quando fui morar no Joaquim Távora – e transitar pelos bairros próximos – me encantei com o Marcão das Ostras.

Ele tem seus problemas, claros. Quem não os tem? Às vezes a conta traz alguns problemas e discussões na mesa, mas é só às vezes. E são situações em que se o álcool não tiver sido além da conta, podem ser conversadas. Conheci o bar com uma cara bem diferente da que tem hoje. Era uma espécie de improviso na garagem de casa. Isso era por volta do ano 2000. Nesse tempo, o banheiro do bar era o mesmo da casa e da família.

Nessa época, o caranguejo era irresistível. As ostras, que eu ainda não gostava, eram sucesso de público. E a cerveja, estúpida. Eu mudei de endereço. O Marcão, não. Mas tempos depois, quando lá estava eu de volta ao bairro, a cara era outra. Em 2005, o local foi totalmente repaginado. A cara de boteco pé sujo desapareceu. Ficou até muito “arrumadinho” para um bar tão perto de casa. Ir de Havaianas era até uma dúvida. Mas nada que umas cervejas a mais não resolvessem rapidamente.

Pois bem. Foi assim, com um porre ou outro que o Marcão ficou um ótimo bar para se ter nos arredores de casa. Cerveja gelada, tira-gostos irresistíveis e um preço não tão bom assim.Vale dizer também que os garçons são ótimos. O que vale pedir? Uma Skol gelada, um arroz de camarão, ostras (R$ 12,90, a porção), camarão ao alho e óleo (R$ 13,90, o quilo). Não necessariamente nessa ordem, mas mantenha a Skol em primeiro plano. Ela dá uma vontade de sair experimentando mais e mais.

O caranguejo (R$ 2,40) ganhou a cidade e a casa lota às quintas-feiras (a casquinha de R$ 7 é melhor ainda). Lota também às sextas, quando a atração é o chorinho. E aos domingos nem se fala, é muito samba quando cai a tarde. O ideal é chegar cedo todos esses dias.

Hoje, às vésperas de ter que escolher um bar perto da casa pernambucana, o Marcão – esqueci de dizer que só ficou o nome, o Marcão (o dono) não está mais lá há algum tempo – ficou companheiro de todas as horas. Melhor ainda, vários amigos marcam de ir para lá e eu saio no lucro nesses dias de lei seca.